Se você gosta de Crepúsculo, já deve ter ouvido um monte de comentários machistas de que não tem gosto, ou coisa do tipoSe você é mulher, acredite: dificilmente verá alguém do sexo oposto elogiando os filmes de
Crepúsculo, Sex and the City, ou qualquer outra franquia que tenha uma trama direcionada as mulheres. O porque disso é muito simples: em uma sociedade dominada por padrões masculinos, que vão de rótulos de cerveja até qualquer outro produto de consumo, elogiar uma dessas obras seria como admitir uma falta de verilidade. "Homem que é homem" tem que gostar de
Jason Bourne, Miami Vice, James Bond,
Velozes e Furiosos, algum filme de Super-herói (porque hoje em dia estão na moda) e por ai vai. É comum entrar em um site, por exemplo, o Omelete, e ver nas listas de discussão gente comentando o quanto
Crepúsculo é ruim, os atores são toscos, a história dos vampiros é descaracterizada... quando eles nem sequer assitiram mais do que um teaser do filme, ou uma foto ou ainda leram sobre ele.
Sim, é verdade que a história contada por Stephenie Meyer toma suas doses de liberdade criativa em relação a popular lenda dos chupadores de sangue e dos licantropos, mas que história de vampiros não o faz? Até o mais popular de todos os personagens vampíricos, o Conde Drácula, nada mais é do que uma adaptação de lendas europeias e de outro personagem histórico, Vlad, o empalador.
Livros como
Entrevista com o Vampiro, jogos de RPG como o
Mundo das Trevas da empresa White Wolf, nenhuma delas traçará um perfil fiel simplesmente porque não há um para se traçar. Há registros da lenda de Vampiros na europa, África, no Antigo Egito, no Médio Oriente, e todas elas trazem discrepâncias. Alguns relatos europeus são o mais próximo do que conhecemos: o vampiro é um morto vivo consciente (nem todos são, vide o zumbi), capaz de se transformar em morcego e lobo (e até em outros animais, segundo algumas versões) e que se alimenta do sangue de suas vítimas. Na Egípcia, são parentes de demônios, e por ai vai. O que é importante deixar claro é que a visão que temos de vampiros, a clássica, veio da mente de artistas, e não do(s) mito(s) original(is).
Acho que estendi um pouco, mas o que estou tentando explicar é o seguinte: Na maior parte da história humana, os homens imporam suas vontades e direitos sobre as mulheres, e isso ainda acontece, seja em casos como tacharem de "incultas" ou "sentimentalistas demais" aquelas que gostam da obra de Meyer, como qualquer outra mulher que possa fazer frente a eles naquilo que mais gostam e, por isso, que deveria ser apenas de presença masculina (alquém ai lembra daquela bandeirinha que foi expulsa pela FIFA porque fez um ensaio para a Playboy? Porque o mesmo não acontece com um jogador que posa para a Revista G?)
Quer saber? Eu gostei de Crepúsculo, dos dois primeiros filmes. Não são brilhantes, mas têm sim um bom roteiro e direção, e não vou dizer que não só porque sou homem. Agora, acho patético que sites de renome (não vou dizer qual, mas acho que já citei) falem abertamente sobre a qualidade do filme, enaltecendo obras anteriores sobre vampiros porque são "Melhores". Uma mulher decidiu mostrar sua perspectiva feminina sobre vampiros, assim como as milhares de versões masculinas que existem por aí. Ainda recriou* a mitologia com ideias próprias, como todos fazem. O que separa essa adaptação das outras é apenas uma única coisa: o preconceito.
Fontes:
http://mortesubita.org/monstruario/hall/vampiro
http://pt.wikipedia.org/wiki/Vampiro
-Repertório pessoal
*-Tudo bem que acho que existem semelhanças gritantes entre a obra de Meyer e de Charlaine Harris, a escritora que escreveu a série de livros que deu origem a
True Blood. Mas como enfoquei mais os filmes da
Twilight Saga, essa é outra história...
Dica:
Livro
Enciclopédia dos Vampiros, de
J. Gordon Melton: http://www.mbooks.com.br/cgi-bin/e-commerce/busca_e-commerce.cgi?lvcfg=mbooks&action=saibamais&codigo=800569